Baía de Guanabara

Baía de Guanabara
Foto tirada da pedra do Santo Inácio, em São Francisco, Niterói/RJ - Brasil

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Ocaso


Nem tudo o que sai é pra fora
se tudo o que vem apavora.
Nem tudo o que vai já ficou
se o que foi montou saudade.

Nem tudo o que cai é pra baixo
se tudo o que universa é o espaço
Nem tudo o que foi ocaso se foi
se tudo o que dispersa é acaso.

Nem tudo o que atrai me distrai
se o seu oposto foi deposto.
Nem tudo o que convém é o que vem
se em todo convés soçobrar o seu viés.


sábado, 7 de dezembro de 2013

Laço, 1956.Litografia 25,3 x 33,9 cm - © M.C. Escher Foundation - Baarn

Ida e Volta

Um dia ela se foi
E disse a ida é sem volta
Volta e meia ela aparece
Em sonhos vívidos
Vicissitudes inviáveis.

Um dia ela não se foi
E disse a volta é desdita
Dita sempre o indizível
Em desejos delirantes
Deturpação dogmática.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Concavo convexo



Aqualuzente aquecia um falso percalço.
Descalço caí no cadafalso.
Sem complexo de quem seria o reflexo
Simplexo seja controverso
Contexto sem nexo
Concavo ou
Convexo de conversa prolixa?

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Um dia




Na manhã matriarcal
em que se modernizou
a magia do mosaico
a miséria mentalizou
o modelo da musa.

Na tarde tonta
em que tocou
a tocante toada
o tautológico tranquilizou
o trauma da trupe.

Na noite navegante
em que o notívago
neutralizou sua natureza
 o niilista negou
 a neve enregelante.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Película


Tanto monto na mente
quebra-cabeça da desmemória,
presença de um olhar tímido
flutua na cor de um sol úmido
navegando num barco a remo em um extenso deserto.
Exílio distante mais no tempo do que no espaço,
ingênua vertigem de pretenso ator esperto
cuja cena se repete antes do fim de um achado.
Divergência em consenso tão longe, tão perto,
viagens por vias virgens
vítimas da vaga incerteza
de um belo take errado.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Sem resposta?




Que invento seria capaz de revelar meu intento?

Que intuito inventaria nossas auras em curto-circuito?

Que culto não questionaria a presença de um vulto culto?

Que dúvidas permeiam a dor e a potência da morte súbita?

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Ah! Normal!



Uma carta em um livro raro e antigo
revela a mágoa de um homem com o tempo.
Sentimento que jamais poderia dividir com alguém daquela época.
Quem o levaria a sério se ainda hoje ele é um incompreendido?
Quem o apoiaria se ainda hoje é considerado louco?
Sinceramente, como é triste e angustiante saber que enxergamos
tão pouco aquilo que está muito perto de nós.
Por que não ouvir o que se tem a dizer? Se o que se tem a dizer
parece sem sentido, por que a intolerância?
Naquela carta, em que descreve seu próprio fim,
anuncia a aurora de um sentimento símio.
Dotado de grande astúcia,
se questiona sobre a utilidade da carta.
Explique-me a forma de convencer o medo a virar coragem.