Baía de Guanabara

Baía de Guanabara
Foto tirada da pedra do Santo Inácio, em São Francisco, Niterói/RJ - Brasil

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Fortes cadeias

Suas meias pareciam feitas de lã mas não protegiam aquelas belas pernas que as usava. Do frio, daquele frio que nos deixaria na cama esquentando pernas arrepiadas debaixo de cobertas e "Como são grandes os espetáculos do vinho, iluminados pelo sol interior", abrasando seus seios, seixos, cheios entre nossos meios. Dádiva de olhares claros friamente fulminando-me. Sons de sonhos acordados sorrateiramente sobre seus ouvidos de pele fina. Tu eras como um pesadelo em que não estamos dentro, mas sim ao lado, tentando beijar-te e barrando-me uma transparência intransponível.
Só lhe darei sólida solidão quando seu solstício penetrar em meu ser.
Desde tempos imemoriais selvagens hão de equacionar o divisor comum que nos separa.
Poderia incluir aí a nossa mais nobre relação, reunidas todas as qualidades que nos são peculiares. Particularismos montados em forte coesão e condicionados por paixões que passam, deixando o caos. Paralelamente emoções iguais inexistem e o fato chato toma proporções inimagináveis sob a tutela do amor, que nos arrasta cada vez mais, como a correnteza de um rio.
Pela disposição das rochas em um rio, calculamos, antes, o caminho a seguir, e vamos tranquilos, desejando algumas vezes passar pelos outros, e fazendo-o. Uma água fria de um mergulho só e acompanhado de você, brincar na mata fechada, nas árvores. Nadar entre pernas e braços, percorrer grutas, trepar e trepar até despencar dos troncos, aos trancos. Poços possuindo-nos. Beijos entre peixes.
Pele enrugada pelas águas cristalinas de musa jamais massificadas.
Mundo fundo nas cachoeiras de escuridão.
Dissolvendo ante o seu olhar finas teias, onde antes eram montadas firmes cadeias.

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